REVISTA ERÓTICA PARA HOMENS (E QUEM MAIS CURTIR)

By 15/07/2015Arte

por Matheus do Carmo

Seja no carnaval ou estampada em capas de revistas das bancas, gente pelada sempre esteve na moda (aliás, todo mundo fica pelado, certo? É o que se espera) e paradoxalmente, a nudez ainda é um tabu para a família tradicional brasileira. Por fim, todo mundo sabe da depilação alheia por meio de revistas mundialmente conhecidas, que muitas vezes exibem corpos que seriam   impossíveis sem ajudinha do photoshop. Sendo assim, fica difícil saber a quantas anda a real produção de conteúdo erótico brasileiro. Tudo porque somos massacrados por corpos padronizados e iguais.

Abrindo este diálogo, conversamos com a recém-lançada Flesh Mag, uma revista digital de fotografia e arte erótica. O projeto é clicado pela dupla de fotógrafos cariocas João Maciel e Rafael Medina, fazem ensaios quinzenais expondo uma variedade de corpos e personalidades masculinas. Por explorar o erotismo de outras formas, chamamos a Flesh para falar sobre a produção de conteúdo erótico desta terra brasilis.

CLUSTER: Qual foi a sacada de que existia uma demanda para a criação da Flesh?  

 FLESH: A ideia da Flesh surgiu da nossa experiência com os ensaios que fizemos para a promoção da Festa Barbado. A gente gostou muito da experiência de fotografar o corpo masculino e pensamos em estender essa experiência numa revista que tivesse uma variedade maior de corpos e estilos, não somente homens com barba e corpos perfeitos (…) O projeto não previu uma demanda específica, mas sim um desejo de  fazer algo autoral. Só percebemos que havia uma procura por outro tipo de nudez quando estávamos pesquisando referências e público.    

CLUSTER: Quais são as suas referências?  

FLESH: A gente admira muito duas revistas gringas que têm dois approachs bem diferentes sobre o nu masculino: A Kink, uma revista de uma dupla de fotógrafos da Espanha e a holandesa Butt Magazine.   (…)  Conforme desenvolvemos a Flesh, ela foi ganhando uma cara própria, até mesmo porque temos outras referências, tanto de fotografia como Alair Gomes, Mapplethorpe e Nan Goldin, quanto nas artes visuais, cinema, etc. Na verdade, hoje a gente tem pesquisado elementos específicos para cada ensaio, um deles, por exemplo, foi inspirado no filme “O estranho no lago” do diretor francês Alain Guiraudie. No futuro queremos fazer um ensaio inspirado nos filmes do John Waters também.

CLUSTER: Como você enxerga o cenário da produção de conteúdo erótico aqui no Brasil?   

FLESH: Pergunta difícil. Acho que está havendo um momento de renascimento da produção erótica mas que parte de um lugar diferente das publicações clássicas como a Playboy ou G Magazine. Me parece que as publicações novas procuram pensar o sexo, o erotismo e o corpo com uma certa naturalidade, não como um mero fetiche. Isso não quer dizer que não pensem o fetiche, mas não partem desse lugar e sim de referências artísticas e/ou conceituais. Um bom exemplo é a revista NIN.    

CLUSTER: A Flesh fala sobretudo da diversidade de corpos. Isso é algo incomum em outras revistas ou sites eróticos brasileiros, ou já existe algum conteúdo?

 FLESH: Não sei se é algo exatamente incomum. Acredito que as diversas publicações partem de um ponto específico, que é a questão que move cada uma delas. No caso particular da Flesh, o nosso ponto foi a diversidade. Na verdade foi um problema que nos impomos, que é a ditadura de um ideal específico de corpo. Um ideal que em última análise não existe no mundo, só no photoshop. Por isso,  procuramos mostrar corpos dos mais diversos e sem modificações digitais.  

 

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About Matheus do Carmo

Carioca, ex-cabeludo e corre atrás do prejuízo constantemente. É um "tipo", tipo designer gráfico, tipo escritor, tipo desenhista, tipo isso ou aquilo, mas queria mesmo é ser a Cássia Éller.