QUÊNIA E OS PRAZERES DO TRABALHO VOLUNTÁRIO

By 22/01/2015Da Gringa

Por Samara Maultasch

Sair de férias é sempre uma felicidade, mas de vez em quando bate aquela dúvida de o que fazer e pra onde ir. Pois nós te apresentamos não só um destino como também um novo jeito de aproveitar seus dias livres: as férias voluntárias.

Vários países do mundo oferecem trabalhos sociais de curta duração e com temáticas variadas. Você pode cuidar de animais, participar de reformas em áreas necessitadas ou ajudar refugiados e pessoas de regiões mais pobres. O caminho para chegar até esses projetos é bem mais simples do que parece. Já existem agências especializadas em cuidar de tudo que envolve a viagem e uma delas é a Volunteer Vacations.

Um dos destinos frequentes é o Quênia, na costa leste da África. Se comunicar lá é bem fácil porque o país foi colonizado pelos britânicos, então todos falam inglês, além da língua oficial que é o swhaili.

Comer por lá é uma delícia! Eles têm vários pratos de legumes e verduras com um toque apimentado, além de um tipo de panqueca que é bem diferente da que conhecemos. Porém, enquanto uns têm a mesa farta, outros têm uma vida mais dura. A desigualdade social é visível na cidade dividida por bairros ricos e pobres, com o contraste entre os prédios maneirinhos do centro e os barracos de barro das favelas. A mais famosa delas é a Kibera. É a maior do continente africano e uma das maiores do mundo todo! São cerca de 2 milhões de pessoas vivendo lá em condições sub humanas, sem água encanada, sem saneamento básico e a maioria não tem nem três refeições por dia.

É preciso respirar fundo antes de adentrar. O cheiro de esgoto é de dar inveja ao Tietê, há muita poeira e higiene é uma palavra que você pode apagar do seu dicionário. A lama cobre 90% do chão, com um misto de lixo, terra, poeira e até ”necessidades”. Use galochas pra facilitar. Mas sem sentir nojo. Porque você acostuma rapidinho.

A vontade de ajudar a mudar é tão grande que em pouco tempo lá, a sua única preocupação será de experimentar, de

vivenciar o dia a dia e de se aproximar das crianças e dos jovens de Kibera. A vaidade vai pro brejo. Até porque você vai acabar participando da pintura da parede, na limpeza e nas atividades. Ao final do dia, quando você perceber que o seu cabelo está azul, vai sentir como é incrível ajudar aquelas pessoas! Sem pensar em o quão sujo está ou se aquela mancha vai sair fácil.

Apesar de toda precariedade, é impressionante a alegria de viver e a criatividade das crianças! É fácil ver meninos com carrinhos feitos com caixas de leite ou tentando equilibrar círculos feitos de arame. Outro fato incrível é que eles são extremamente solidários uns com os outros. Aprendem a dividir o pouco que têm desde cedo e não é difícil ver uma criança dando uma mordida da sua comida para o amiguinho ao lado.

Muitas delas têm condições difíceis em casa, o que faz com que sintam essa falta de carinho e de apego – um problema grave de Kibera é a violência doméstica. Por isso, as crianças se apegam muito rápido ao voluntário que chega. Durante os passeios pelas ruas da favela elas ficam loucas para dar a mão pra você, três ou quatro crianças tentando andar junto, segurando o seu braço ou a camisa pra poder ficar mais pertinho. Adoram tirar fotos abraçadas, adoram dançar juntos… vão topar qualquer brincadeira que você propor com uma alegria enorme!! Só apostar corrida com eles já é uma diversão.

Há cerca de dois anos, foi criada uma biblioteca pública para que as crianças tivessem um espaço de lazer e estudo, ficando assim longe de problemas frequentes como drogas, gravidez precoce, violência e doenças. Os jovens do grupo de rap Kibera Talking são os responsáveis por tocar o projeto no dia a dia. Eles cuidam das crianças, ajudam na manutenção do espaço e ainda mandam um rap maneiro sobre tudo que envolve a vida ali na favela. E é com eles que o voluntário se une. Dá pra fazer de tudo um pouco: participar dos afazeres do dia, brincar, ler, entreter e estudar com as crianças, além também de dar uma força nas pequenas reformas e melhorias do espaço.

Ao longo dos dias, você vai perceber que a vaidade já não importa muito, que o cheiro de lá, que não é dos melhores, não é tão ruim assim e que você fez uma das melhores escolhas da vida quando decidiu encarar o mundo real. A sensação com certeza é gratificante!! Você certamente vai acabar se apegando às crianças e aos jovens rappers e vai voltar morrendo de saudades. E lógico, vai ter vivido uma experiência única!

 

Samara Maultasch é fascinada por percorrer distâncias, seja correndo, seja de avião ou escrevendo.

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