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Carolina Herszenhut

VIAJE COMO UMA MINA: BUDAPESTE

By | Da Gringa | No Comments

Dando continuidade à coluna Viaje como uma Mina, vou contar de uma viagem que não fiz sozinha, mas sim com mais uma mina. E, como sempre, vou colocar apenas as minhas dicas e não tudo que existe na cidade pois isso está por todo lado. 😉

No fim do ano passado estava em Berlim e queria conhecer alguma outra cidade, mas não queria ir a lugares que já conhecia e me aventurei em Budapeste por quatro dias, o que não é muito mas dá para curtir.

Foi a melhor coisa que fiz, convidei uma amiga e nos aventuramos no país onde como diria Chico Buarque, “se fala a única língua que o Diabo respeita: Húngaro”. Cheguei de avião. Tem quem venha de trem e diga que é ótimo, mas eu que sou rata de passagens consegui uma ida e volta pela Easyjet e paguei 45 euros cada parte. Infelizmente não existem voos diretos do Brasil e o melhor é fazer escala em algum país da Europa Ocidental.

Chegar na cidade do aeroporto é super fácil. Ao lado do desembarque tem um guichê de informação, lá te dão mapa, vendem passe de transporte e te ensinam a ir a qualquer lugar de transporte público. O que aliás é maravilhoso, pois é possível ir a QUALQUER lugar pagando apenas uma passagem.

Então depois de um ônibus e duas linhas de metrô cheguei em Erzsébetváros, que foi o bairro que escolhi para ficar depois de ler que era ótimo. E realmente: fiquei num apartamento do Airbnb que era um cenário de filme. Lá tem uma estação de trem chamada Keleti que é linda que já vale uma foto. Aliás, importante dizer aqui que Budapeste é uma das cidades mais lindas que já conheci. TUDO é digno de foto.

Começando pela história: BUDA e PESTE eram duas cidades separadas pelo Rio Danúbio e que no fim do século XIX se fundiram e viraram Budapeste. Do lado direito do rio fica Buda com seus castelos e a maioria dos lugares históricos e do outro lado Peste, mais moderna e mais bafo.

Toda cidade que se preze tem um “free walking tour” que te apresenta a cidade toda caminhando e a de Budapeste foi ótima, pois a cidade não é grande e em quatro horas caminhei na beira do Danúbio, conheci castelos, bibliotecas, memoriais, atravessei a ponte, subi colinas, vi igrejas e quando acabou estava em Buda e pude voltar de barco pelo Danúbio e ver um dos pores do sol mais bonitos da minha vida. Aliás isso é a verdadeira maravilha de viajar sozinha, se aventurar por ruas sem hora para voltar, sem ter que decidir em conjunto o roteiro, poder conhecer pessoas novas e andar sem rumo.

Um passeio que não pode ficar de fora é o mercado central, onde tem comidas, artesanado, especiarias e frutas. Não deixe de comer langós uma espécie de pizza sem queijo com um molho branco e diversos sabores. Nesse local é onde tem os melhores artesanatos, incluindo as blusas bordadas que são “must have”. Eu comprei uma pasta de páprica (tempero típico del lá) que me arrependo até hoje não ter comprado dez!

Continuando na temática gastronomia, pois sou taurina e boa comida define um lugar para mim, resolvi experimentar um brunch na cidade, coloquei no google “best brunch in Budapest” e me lancei para Buda. Parei no Déryné Bisztró, um restaurante maravilhoso e que no caminho tinha um graffiti lindo. Queria pedir todas as comidas do cardápio mas comi apenas moules frites e fois gras beneidct. INCRÍVEL! E tive que voltar para Peste à pé para digerir tanta comida, o que foi maravilhoso pois passei pela ponte mais linda da cidade. 🙂

Para sair à noite recomendo dois programas que com certeza serão bem diferentes do que vocês costumam fazer. Numa noite vá a algum ruin pub, que são bares dentro de ruínas de prédios abandonados. Essa com certeza será uma estética que irá te impressionar. Eu fui ao mais famoso, o Szimpla. Foi ótimo, apesar de a música não ser a melhor do mundo e, como disse a minha amiga com relação à qualidade do drink e os preços em Florim Húngaro, no fim da noite não tínhamos a menor ideia de quanto gastamos e do que bebemos, mas tínhamos uma certeza: TODOS os drinks eram ruins! rsrsrsrs

O resultado dessa noite foi o ônibus certo na direção errada, o que nos fez cruzar a ponte para Buda, sendo que estávamos em Peste, e dar de cara com uma vista impressionante. O rio Danúbio à noite é lindo e tem um castelo!

O outro programa que fiz à noite foi ir a um banho turco. Ele pode ser feito durante o dia, mas quando soube que existia um horário à noite não resisti. Escolhi o “Rudas Bath“, um dos mais tradicionais da cidade e um dos poucos que tem dias separados para homens e mulheres. No sábado à noite é misto e achei que seria uma “mini balada” mas não era. Mesmo assim foi ótimo, até tomei uma cerveja dentro d’água. O que tem de melhor nesse banho é uma abóboda no terraço que é ao ar livre e tem uma piscina com uma vista para todo o Rio Danúbio. Lá é possível mergulhar numa piscina de 50 graus, ficar com a cabeça a -10 (pois era inverno) e ter a melhor sensação do mundo! Tão boa, tão boa, que eu dormi e só acordei quando estava quase caindo em cima de uma pessoa.

Mas Budapeste é assim: quase um sonho do qual só acordei no avião de volta para casa. <3

Dicas, dicas, dicas

– A Hungria faz parte da comunidade europeia mas não tem Euro. Ou seja, você tem que lidar com muitas notas e valores enormes. No final é quase impossível saber quanto você está gastando. E vindo de Berlim como eu vinha, a cidade é CARA.
– Leve um maiô, mesmo sendo inverno.
– Se for inverno tome muito vinho quente.
– E se for Natal, vá numa feira de rua. Eu vi o melhor show de música balcânica da minha VIDA! Uma verdadeira viagem no tempo.
– Lá se fala húngaro mas, graças a Deusa, todos falam inglês.
– Os húngaros estão sempre com cara de mau humor mas não se preocupem, eles não mordem!
– Se você gosta de carne de porco como eu, irá se esbaldar. As melhores comidas do Leste europeu estão lá. Sim, é exagero, mas minha avó é húngara! 😉
– Coma Goulash!
– Coma TODOS os doces que encontrar, são mágicos.
– Fique em Peste, é mais bafo. <3
– Budapeste tem muitos jovens e perguntaram mil vezes o que eu estudava. AMEI me sentir jovem.

VIAJE COMO UMA MINA: BERLIM

By | Da Gringa | No Comments

Viajar sozinha para uma mulher é ao mesmo tempo uma revelação e um desafio. Romper a barreira e enfrentar comentários como “vai sozinha???” ou “nossa, quanto empoderamento” é quase um rito de passagem.

Inauguro essa coluna Viaje Como Uma Mina falando sobre Berlim e contando como é estar sozinha numa cidade, enfrentar as barreiras e desfrutar as delícias da própria companhia.

Dizer que Berlim é amazing é chover no molhado, dicas sobre a cidade que não dorme, que tem festas de 72 horas e ao mesmo tempo a tranquilidade de uma cidade da Europa é lugar comum na internet. Portanto vou apenas me fixar nas coisas mais incríveis que eu vi e como essa viagem foi transformadora.

Chegar em Berlim é fácil, tem muitos voos saindo do Rio e São Paulo com escala em Frankfurt, Lisboa e várias outras cidades. Ficar de olho nas promoções que aparecem o tempo todo pode te render alguns euros a mais para gastar na cidade.

Conheci Berlim no inverno, ou seja, não pude viver as delícias dos passeios aos muitos parques e jardins que a cidade tem a oferecer. Porém estive em maravilhosos lugares indoor e aquecidos.

O transporte público é ótimo e integrado, com apenas uma passagem é possível andar durante 2 horas de trem, metrô ou ônibus. E se você for daquelas que gosta de correr riscos é possível andar de ônibus o dia todo com o mesmo bilhete, pois não tem fiscalização 😉

Eu sempre procuro, quando estou sozinha, me hospedar em bairros onde posso andar à noite à pé, acho mais seguro. Pois durante o dia qualquer lugar é “quase seguro” na Europa. Escolhi Kreuzberg, o bairro mais cool e moderninho de Berlim, todos os hipsters estão por lá, tem as melhores festas, bares, restaurantes e lojinhas.

Para conhecer a cidade opte por um walking tour. Nele será possível conhecer a cidade inteira à pé em quatro horas e se tiver sorte você terá uma guia que é a cara da cidade. E o melhor: gratuito!

Museus

Se está em busca de museus Berlim é a cidade. Tem uma ilha só com museus e a cidade respira arte. Porém alguns foram realmente impressionantes:

Museu Bauhaus: é pequeno mas conta através de móveis, cartazes e arquitetura toda a história dessa escola alemã que revolucionou o mundo;

Museu Judaico: com uma arquitetura impressionante, tem uma exposição permanente que conta a história do holocausto e um jardim com um memorial dedicado às vítimas. As exposições permanentes também são ótimas e eu vi uma bem sarcástica chamada “A Muslim, a Christian and a Jew”;

Berlimische Galerie: museu de arte contemporânea com exibições temporárias. Vi uma galinha gigante em 3D e conheci uma pintora maravilhosa chamada Cornelia Schleime;

Pergamonmuseum: esse museu é impressionante, você tem a sensação que a Grécia e a Babilônia estão inteiras lá;

Hamburger Bahnhof: o melhor museu de Berlim, numa casa gigantesca ao lado do Rio, com exposições de arte contemporânea sempre provocantes;

Museum der Dinge (Museu das Coisas): exatamente como o nome diz, tem TODAS as coisas do mundo, de cadeiras a máquinas de escrever, de bonecas a bules. Em todas as cores, materiais e formas. Um delírio para acumuladores!

Mercados, lojas, baladas e mais

Existem dois mercados que tem que estar na lista. O Mercado Turco, que fica na beira do rio e onde é possível comprar flores, tecidos, comidas, especiarias, roupas e até tesouras (!?). Ele acontece às terças e sextas durante o dia. O outro é o Marketneulle, um mercado de frutas, legumes e comidas que durante os fins de semana tem sempre eventos e comidas de todo mundo. E às quintas à noite tem o thursday night, um evento com comida, música, gente bonita e clima de paquera.

A minha balada must go é o Prince Charles, uma boate que fica embaixo de um prédio, abre quinta e segue direto até segunda sem fechar, com programação intensa e diversa. Fui na MELHOR noite de Disco da minha vida nessa casa.

Lojas tem milhares e muitas com novos designers e preços bons. Sim, Berlim é uma cidade barata mas a melhor de todas para mim é a Une Outre Vodoo, uma multimarcas com todos os preços (não muito baratos) e marcas grandes e novas do mundo todo, desde Prada até uma marca de óculos Sueco desconhecido e incrível.

Como estava frio não pude fazer muitas coisas ao ar livre, mas um lugar me deixou com gostinho de quero mais: Tempelhof, um aeroporto que foi usado pelo Hitler na segunda guerra e hoje é um parque onde as pessoas correm, fazem piquenique, andam de bicicleta, tem hortas comunitárias e tem a chance de ir a vários eventos. E se você tiver sorte pode encontrar um show de Techno ao vivo.

Dicas, dicas, dicas

Sim, isso é Berlim! Um lugar que mistura muita história e milhares de coisas que farão história, difícil não de apaixonar.

– Se for ficar mais de 3 dias na cidade compre um passe para o transporte público;
– Baixe o mapa no seu Google Maps. Berlim não tem wifi fácil;
– A cerveja em Berlim custa em média 3 Euros. Não tome drinks!
– Alugue uma bicicleta e passeie pela cidade;
– Coma qualquer coisa que vir na rua. É tudo delicioso, principalmente para os fãs de carne de porco;
– Converse com as pessoas. Berlim é uma espécie de NY da Europa, tem gente do mundo todo sempre querendo fazer novas amizades;
– Não se preocupe, não precisa falar alemão. Nem mesmo eles falam essa língua!
– Lá, Uber e táxi são o mesmo carro, ou seja, não importa quem você chame, virão os táxis! E eles não falarão inglês pois são todos turcos! CUIDADO para não se perder (eu optei sempre pelo transporte público).

O CLUSTER EM EXPANSÃO

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O Cluster começou de um desejo de juntar pessoas, ideias, marcas, artistas, músicos e cozinheiros que tivessem sinergia e propostas complementares. Sabia que o cenário do Rio de Janeiro era rico e que muitas pessoas precisavam apenas de um empurrão para estourarem. Foram 1150 dias desde quando aluguei uma casa em Botafogo e coloquei 700 pessoas para conhecer a cena criativa da cidade sem poder imaginar que tomaria a proporção que tem hoje. Amigos, amigos de amigos, desconhecidos que se tornaram amigos, muita gente passou por esse processo.

Uma das coisas que percebi nesses mais de quatro anos foi que os gaps dessa tão famosa indústria criativa eram muitos e superá-los se tornou a nossa missão. Digo nossa pois é muita gente envolvida fazendo essa roda girar. Hoje, somos uma plataforma de canalização de economia criativa, responsável pela mais importante curadoria de moda da cidade, com direito a um guia que faz o registro da cena criativa, o Guia O Cluster Cem Criativos Cariocas.

Foi há três anos que percebi que essa demanda da economia criativa ia além das fronteiras do Rio de Janeiro. Percebemos que havia demanda de outros estados e começamos a pensar como suprir essas demandas. Surgiu em 2014 nossa Revista Digital O Cluster, onde passamos a produzir conteúdos exclusivos sobre o que a gente mais conhecia: moda. música, design e gastronomia.  Aqui é possível conhecer pessoas, iniciativas e locais criativos no Brasil e no mundo, graças ao alcance que conteúdos digitais podem ter.

No Rio, sempre entendemos que era importante fazer uma ocupação diferente em diversas áreas para estimular o uso da cidade como um todo e levar essas pessoas para além dos limites sempre explorados. Dessa forma, em 2015 resolvemos fazer nossa primeira “excursão” para Belo Horizonte, para que pudéssemos entender como funcionava o mercado de lá.

Levar O Cluster para além dos limites de onde ele surgiu se tornou um desejo assim que percebemos que as demandas do cenário criativo eram as mesmas em todos os lugares que visitávamos. Viajando para outras cidades, estados e países percebi que o que fazemos faz sentido em qualquer lugar do mundo. Onde existem marcas, estilistas, designers, artistas, músicos, DJs e chefs há a necessidade de estreitar o caminho para chegar ao público final.

Essa é a nossa missão: canalizar e divulgar os agentes da economia criativa. Da cidade? Da região? Quem sabe até do mundo!

A importância de explorar os espaços de forma nova trouxe junto o impulso de buscar novos lugares onde podemos nos associar a iniciativas bacanas e contribuir com o nosso conhecimento para o fortalecimento da cena no país.

Belo Horizonte nos recebeu com aquele jeitinho mineiro, carinhoso e desconfiado e foi nossa primeira aventura além terras cariocas. Desembarcamos em 2015 numa versão pocket para apenas 400 pessoas, em 2016 crescemos para uma linda casa e recebemos 1500 pessoas. Esse ano, estaremos de volta em três grandes edições que queremos fazer como no Rio. Encher a casa de moda, música, arte, design e gastronomia, sempre aos domingos e recebendo jovens dos 0 a 100 anos. Tudo isso feito possível por novas pessoas e iniciativas com que tivemos contato, além do fortalecimento da parceria que já temos com a cerveja Sol desde o início.

Além das três edições em BH, 2017 nos presenteia com uma linda parceria com o Espaço Garimpo e o Funcultura. Em maio aportamos também em Recife, com um Seminário de Moda e Empreendedorismo que vai levar gente do Brasil todo para discutir o mercado atual. E também teremos uma edição especial d’O Cluster na capital pernambucana, com tudo de lindo, gostoso e inspirador que vem sendo produzido por lá.

O Cluster é isso, uma ideia que surgiu de demandas específicas e vem, coletivamente, crescendo e se expandindo muito além de um formato ou um lugar. E tem muito mais por vir!

GENTE QUE FAZ #12: GASTRONOMIA

By | Curtimos, Gastronomia | No Comments

Conhecemos a  Tibo Cucina no primeiro O Cluster que fizemos em Belo Horizonte, e a cada comida que provávamos ficávamos encantadas, era tudo maravilhoso!

De lá para cá, Sinval, o responsável por tudo só brilha cada vez mais. Mineiro, indicado como chef revelação pela Revista Encontro Gastrô 2016, professor do curso de Gastronomia da UNA e do MBA em Gestão gastronômica e hoteleira do SENAC e Membro da Accademia Italiana Della  Cucina, hoje comanda a cozinha de um restaurante no

Jardim Canadá há 20 minutos do centro de “Beagá” e será destaque com seus quitutes no próximo O Cluster dia 23 de outubro na Casa Bernardi na capital mineira.

Vem conhecer um pouquinho mais desse mineirin que é puro sucesso:

O CLUSTER: Qual parte do seu trabalho faz seus olhos brilharem e as borboletas na barriga começarem a voar?

Sinval: A gastronomia, a pesquisa, a leitura e o contato com as pessoas são partes incríveis do trabalho. Porém, a parte que eu mais me encontro e me sinto realizado é a parte criativa. Quando estou na cozinha, no fogão, testando receitas, descobrindo temperos e técnicas, parece que o mundo ao meu redor paralisa. Como se abrisse um parêntese e eu entrasse nesse universo paralelo onde tudo fica apenas ali, entre mim e o que ta rolando dentro da panela.

O CLUSTER: Qual o cenário ideal, o melhor dos mundos quando você está cozinhando?

Sinval: Eu adoro colocar uma musica que tenha a ver com o que estou cozinhando, abrir um vinho e deixar a criação fluir. Faço isso até se estou cozinhando só par mim.

O CLUSTER: E se tudo der errado, onde fica o botão de emergência?

Sinval: Na cozinha a gente tem que ser criativo e saber lidar com imprevistos. É um molho que engrossou mais do que deveria, uma coisa que ta mais ácida ou uma cenoura que veio mais doce do que a anterior. Como dou preferência pra ingredientes orgânicos, muitas vezes os sabores mudam por causa da incidência de sol ou de água. Isso pode alterar um preparo e o jeito é fazer ajustes na hora, ou abraçar esses “erros” incríveis da natureza. A emergência é a gente saber que isso faz parte e manter a calma.

O CLUSTER: Conte-nos algo escabroso dos bastidores que ninguém nunca poderia saber?

Sinval: Muitas vezes, na correria de uma cozinha profissional, a gente acaba deixando algumas regrinhas de lado, cortando um legume sem proteger as mãos, ou usando alguma coisa sem a devida proteção. Meus alunos que não me ouçam confessando isso!

O CLUSTER: Quando é mais cansativo e pleno, antes, durante ou depois?

Sinval: Cansativo é o depois, mas também é recompensador também quando percebemos que um bom trabalho foi realizado. Mas pra mim o mais legal é o durante de um evento ou da operação de um restaurante. É adrenalina pura!

O CLUSTER: Você faz o que você faz porquê…

Sinval: O que eu faço é colocar pra fora a minha vontade de acalentar a alma das pessoas com uma comida com afeto. E isso eu faço porque é como se eu colocasse pra fora o melhor de mim.

GENTE QUE FAZ #11: REALIZADORES

By | Arte | No Comments

Batman Zavareze é carioca, formado em Comunicação Visual, 43 anos e tem um currículo de dar inveja, com nomes que incluem MTV Brasil, Multishow, GNT, Discovery, Marisa Monte, Gerald Thomas entre outros…

É a pessoa que manda e desmanda Idealizador o Festival Multiplicidade desde 2005, uma das plataformas culturais mais importantes de arte tecnologia do Rio de janeiro.

O Festival acaba de abrir a sua temporada no Oi Futuro e o tema desse ano é ERRO.

A gente conversou um pouquinho com ele o resultado tá aqui.

O Cluster: Qual parte do seu trabalho faz seus olhos brilharem e as borboletas na barriga começarem a voar?

Batman Zavareze: Eu gosto de barulho, mas hoje eu estou tentando enxergar a beleza e os sons do silêncio. Gosto do ataque da orquestra que treme a caixa torácica e faz você se remexer na cadeira. Gosto também da ideia de instabilidade no campo criativo para buscar algo desconhecido, dentro do possível.

Hoje, num momento super tomado por informações de todos os lados, eu preciso de um tempo estendido para decantar o que faço, seja autoral ou uma encomenda de algum artista. Não abro mão do meu tempo e do meu processo para as minhas entregas. E isso não tem a ver com lentidão, pelo contrário, mas tem momentos que não atendo celular, não respondo email, nem olho as redes sociais, me desligo de tudo. Este é o momento que sempre resgato as boas ideias que estão guardadas nos meus últimos 43 anos… E as que permanecem são as que brilham meus olhos.

Quando trabalho com teatro, eu evito frequentar peças para não ser tomado por algum vício estético ou fórmulas. Quando trabalho com música vou para algum refúgio que tenha silêncio e não escuto nenhum tipo de melodia. Eu desenvolvi este modo em meus trabalhos e sigo assim.  

Eu trabalho regularmente com peças audiovisuais, criando ou pesquisando, mas particularmente tenho seguido os trabalhos que mesclam luz e silêncio.

OC: Qual o cenário ideal, o melhor dos mundos quando você está fazendo/criando/produzindo/tocando?

BZ: Isolamento total. Às vezes físico, às vezes mental.

Em 1998 e 1999 eu vivi uma residência artística na Fabrica, na Itália com 30 jovens, de 30 países diferentes numa região completamente isolada de grandes metrópoles.

Estava a 30 minutos de Veneza, no meio de uma plantação de azeitona, um clima de século XVII, mas ao mesmo tempo conectado com o mundo e exercitando um trabalho colaborativo e compartilhado de conhecimentos complementares. Ali surgiu o nome do festival Multiplicidade bem claro para mim e a ideia da rede com uma certa indisciplina dentro dos meus trabalhos.

A criação partia de um aprofundamento e um confronto que jamais tinha vivido antes no Brasil.

Hoje, mesmo com tantas distrações e cobranças de resultados imediatos eu tento criar rotinas para que eu consiga regularmente me isolar.

Normalmente quando estou no meio do furacão, tomado por trabalhos eu viajo sozinho para bem longe para enxergar melhor o que esta acontecendo.

OC: E se tudo der errado, onde fica o botão de emergência?

BZ: Uma vez eu perguntei para um senhor num documentário sobre arte popular quanto tempo ele levava para construir aquela porta… Ele suspirou e respondeu, “meu filho eu levei 70 anos para esculpir em 15 dias”.

Depois de 25 anos eu não acredito mais em erro… Eu chamo isso no meu trabalho de desvios. Os desvios são fundamentais para a criação do que eu faço.

Eu absorvo tudo para moldar o que chamo de resultado final

OC: Conte-nos algo escabroso dos bastidores que ninguém nunca poderia saber?

BZ: Este ano o festival Multiplicidade aborda o ERRO como tema de inspirações e criações dos artistas de nossa programação. O momento mais escabroso de bastidor que eu diria é quando tenho que entrar no banco para pedir empréstimo para fazer uma realização cultural. É um erro de tal dimensão que não cabe nesta palavra, é constrangedor.

Isso é uma cena que nunca se revela para quem esta lá curtindo uma estreia de um evento, mas a explicação de investir em algo que você chama de sonho muitas vezes é um ato romântico e pura ação política.

Outro ponto, sem revelar nomes, é que eu sou de uma geração que teve ídolos e conheci alguns deles de perto. Muitas vezes isso é um super desastre conhecê-los a fundo porque se desmancha num minuto um sonho imaginário que você constrói ao longo de anos…

Minha vivência no festival é de encontros com alguns mitos da era digital ou da música, que ao final eu tenho vontade de esganá-los… rsrsrsrs. Mas eu rapidamente volto meu olhar para as suas criações artísticas e acho um ponto de equilíbrio…. Para admirá-los novamente.

OC: Quando é mais cansativo e pleno, antes, durante ou depois?

BZ: O mais cansativo é o momento pós-acontecimento, quando baixa a adrenalina. Bate uma tristeza danada no fim.

Eu sou gosto de adrenalina e desafio, quando relaxo, tudo dói. Quando alguém me diz que algo nunca foi feito, eu fico num tesão incontrolável de fazer.

Eu curto a ideia de expandir para um lugar que desconhecido e quando você entra neste lugar incomum, é ruim sair de lá.

Sei que é um comentário surrealista a là “Luis Buñuel”, mas por mim, as minhas coisas não teriam nunca fim.

OC: Você faz o que você faz porquê….. 

BZ: Porque um dia abriram uma fresta de uma janelinha… e eu entrei.

Hoje eu não consigo me auto definir numa única palavra, até porque eu faço muitas coisas simultaneamente.

Eu sou uma mistura de curioso com inquieto, ou um fazedor.

Festival Multiplicidade 

Oi Futuro Flamengo – Rio de Janeiro

Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo

De 11h às 20h, de terça a domingo

Valor: Gratuito

Classificação etária: Livre

GENTE QUE FAZ #10: MÚSICA E RÁDIO

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Patricktor4 é radialista e um dos principais djs e produtores brasileiros da atualidade, baiano de nascimento ele passou boa parte da vida girando pelo norte e nordeste brasileiro onde viu, ouviu e absorveu todas as influencias da música popular produzida e consumida nestes lugares.

Como Dj e produtor está à frente do Baile Tropical, uma festa fenômeno que já passou por diversas cidades do Brasil e do mundo, teve sua última parada em Seul e chega à sua edição número 100, no Rio em plena Olimpíada. Seu Baile vai do Baião nordestino ao Balkan beats do leste europeu, do funk Carioca ao Kuduro africano, do Tecnobrega Paraense à latina Cumbia Digital, da Guitarrada amazônica ao Zouk caribenho, do Afoxé baiano ao Afrobeat da Nigéria, o resultado de todas estas combinações está em sua performance cheia de batidas Tropicais; divertida, surpreendente e altamente dançante.

Como radialista já foi diretor de 2 rádios públicas e acaba de tirar do papel um projeto de 56 anos, a Rádio Frei Caneca, uma rádio pública do Recife.

Convidamos ele para tocar no próximo O Cluster dia 10 de julho e vai ser imperdível!

Conheça um pouquinho mais desse “cabra arretado” que quando alguma coisa tá difícil ele “foca e respira”.

O Cluster: Qual parte do seu trabalho faz seus olhos brilharem e as borboletas na barriga começarem a voar?

Patricktor4: 

Conectar pessoas com a música!
 Seja nova, antiga, conhecida e totalmente desconhecida, a provocação causada pelo contato com a música é uma experiência sensorial incrível. 
Sozinho ou em meio a uma multidão, a música tem uma força muito grande em fazer as pessoas individualmente e coletivamente entrarem em uma sinergia com as frequências, melodias e sentido dos temas, a harmonia causado por este caldo viscoso de referências, histórias, lembranças e surpresas é o que mais me comove em meu trabalho.  
Amo poder causar essa sensação e vivo exclusivamente para promover este sentimento nas pessoas através da arte que apresento.


OC: Qual o cenário ideal, o melhor dos mundos quando você está fazendo, criando, produzindo, tocando?



PT4: Fazendo: ouvir o que diz o silêncio é fundamental  


Criando: estar em eterna sintonia com Parceiros


Produzindo: a Concentração e o foco.


Tocando: Gente sendo gente. Animais minimamente educados pra respeitar os outros e completamente livres pra viver as experiências.


OC: E se tudo der errado, onde fica o botão de emergência?

PT4: Sempre estou disposto a fechar os olhos e respirar fundo e devagar em situações de emergência, acredito que o botão esta dentro da gente e lá tem todas as respostas, e fechar os olhos é olhar pra dentro, respirar fundo é ouvir o silêncio.



OC: Conte-nos algo escabroso dos bastidores que ninguém nunca poderia saber?



PT4: Eu trabalho com o música, festas, rádio e como Dj por amar isso tudo e sua função social, mas naturalmente existe gente que esta nesse meio pelo status, poder, dinheiro 
entre outras coisas pequenas e mesquinhas.
 Todo tipo de atrocidades absurda acontece nos bastidores do showbizz. Mentiras, trapaças e grosserias que são motivadas pela insegurança e egoísmo de alguns destes homens e mulheres que não trabalham com arte pela sua capacidade de transformação da sociedade, mas exclusivamente pelo poder e grana.
 De todo modo acho que todos sabem o que rola, mas nada é mais nojento do que os links entre o privado e o público neste país.


OC: Quando é mais cansativo e pleno, antes, durante ou depois?

PT4: O final de uma festa e a certeza do dever cumprido são de um prazer indescritível, erros acontecem e problemas sempre vão existir, gosto muito de aprender com estas situações adversas, Mas como o show tem que continuar sempre, o fim de um evento com a convicção de ter feito o melhor trabalho possível e o aplauso quando a música acaba são realmente mais importantes que o cachê.

OC: Você faz o que você faz porquê…..

PT4: Eu acho que a música pode mudar a a vida das pessoas pra melhor, esta é a minha missão e amo muito o que faço.

Clica no link e confere o que ele vai tocar por aqui:

GENTE QUE FAZ #9: CINEMA

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Emílio Domingos é o nosso personagem na coluna “Gente que Faz”, ele é cineasta e cientista social. Desde 1997 trabalha com Antropologia Visual, principalmente na área de cultura urbana, pesquisando temas como funk, samba e hip-hop. Como diretor, realizou 9 curtas e 2 longas-metragens. Sua estréia na direção de longas-metragens, o documentário L.A.P.A (2008), ganhou o prêmio de melhor filme no Festival Câmera Mundo, em Roterdã, Holanda. Entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em 2009. Em 2011

criou a produtora Osmose Filmes com Julia Mariano. Em 2012, lançou seu segundo longa-metragem, “A Batalha do Passinho”, que foi vencedor da Mostra Novos Rumos no Festival do Rio.

Já dirigiu videoclipes de artistas como BNegão e Lucas Santtana e atualmente, finaliza dois filmes: o seu novo longa, “Deixa na Régua”, sobre o universo das barbearias na periferia do Rio de Janeiro, e o documentário “Toda a Cidade Vai Cantar” sobre novos artistas das favelas do Rio.

E além de tudo isso é fundador da Festa Phunk e vai estar domingo n’O Cluster atuando como DJ.

O Cluster: Qual parte do seu trabalho faz seus olhos brilharem e as borboletas na barriga começarem a voar?
Emílio Domingos: Na primeira vez que exibo o filme para as pessoas que foram filmadas.  
Qual o cenário ideal, o melhor dos mundos quando você está fazendo/criando/produzindo/tocando?
Quando estou filmando, o cenário ideal é quando a câmera desaparece.  Fica quase imperceptível.

OC: E se tudo der errado, onde fica o botão de emergência?
ED: O erro tem que ser incorporado sempre. O botão de emergência pode ser o de reiniciar.

OC: Conte-nos algo escabroso dos bastidores que ninguém nunca poderia saber?
ED: Estou fazendo um filme sobre barbeiros “Deixa Na Régua” e recuso constantemente o convite dos barbeiros/personagens do filme que me oferecem cortes de cabelo. Se eu cortasse com um, teria que cortar com todos. Sou fiel ao meu barbeiro.

OC: Quando é mais cansativo e pleno, antes, durante ou depois?
ED: Durante as filmagens a adrenalina é enorme. É preciso controlar a expectativa excessiva. E ter paciência. Nem sempre as coisas acontecem como queremos. No caso do documentário, isso é quase uma regra. É preciso estar aberto para se surpreender. E saber lidar com isso. Ser surpreendido faz parte do jogo.

OC: Você faz o que você faz porquê…
ED: Porque quero conhecer o que filmarei. Tenho interesse nos assuntos que escolho filmar. A câmera e a filmagem são pretextos para que eu vivencie e conviva com outras realidades por um período de tempo.

AGENDA

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QUINTA

Começou ontem e vai até o dia 23 de maio a exposição AMOR no Oi Futuro Flamengo, com artistas mulheres do Leste Europeu.

No Circo Voador tem o tradiconal O Baile do Almeidinha e Hamilton de Holanda.

E no La Cueva tem a bafônica V de Viadão.

SEXTA

No Éden na Gamboa, tem Bomba Santa.

A Rebu faz mais uma edição no Studio do Cais no Santo Cristo.

E a galera que organiza O Passeio é Público está fazendo uma festa para arrecadar dinheiro para a edição desse ano, vale a ocluster_cemCriativosCariocas_mosaico_horizontalpena ajudar!

SÁBADO

Tem lançamento do nosso tão esperado Guia O Cluster Cem Criativos Carioca, que apresentará os principais nomes da economia criativa da cidade. Vai ser na Rua do Mercado 35 das 14 às 19 horas com vários DJs, comidinhas e os 100 criativos presentes!

No Circo Voador a Céu lança seu novo CD Tropix.

E a Manie Dansante faz festa em São Cristóvão.

DOMINGO

Tem Feria de Comida Peruana no humaíta.

 

AGENDA ABRIL 14-17

By | Agenda

QUINTA

Na Lapa tem Sarau do Escritório com música, poesia, feira, comida e free style.

Também na Lapa na Fundição Progresso tem Omolokum um evento só com comida de terreiro.

E no Bola Preta tem Dancehall Business 0800 com a galera do Digitaldubs.

SEXTA

No Imperator tem show da Orquestra Contemporânea de Olinda.

Em local secreto tem a festa RARA.

No Viaduto de Madureira tem a Trapin’.

SÁBADO

No Parque Lage tem abertura da Mostra Imagens em Movimento a partir das 15:00.

Em local não divulgado tem Pool me in sábado e domingo, imperdível!

O Instituto Moreira Salles inaugura a exposição de Millôr Fernandes.

Na casa França Brasil na Candelária tem Jazz.

E na Gamboa tem a já tradicional V de Viadão.

DOMINGO

No Eixo Rio tem Fashion Revolution Day.

Na Urca vai ter cinema gratuito e ao ar livre.

E para encerrar o fim de semana tem Festa de Ogum na Gamboa.

 

 

 

EDITORIAL: GRIZAJ

By | Moda

Fotografar em NY sempre foi um sonho.
Cada canto é inspirador, as pessoas estão sempre com as roupas mais incríveis e todos os moradores da cidade tem uma liberdade para vestir, viver e serem como quiserem que é invejável.

Passei 2 meses na cidade e quando parecia que não conseguiria mais realizar esse sonho, encontrei 3 pessoas incríveis que toparam essa empreitada e realizamos esse editorial lindo: José Camarano, Breno Votto e Jerônimo de Moraes, respectivamente, stylist, diretor de arte e fotógrafo, são os responsáveis por essas fotos lindas.

Na busca por roupas para o editorial encontramos uma Pop up dentro do Chelsea Market, a 1 COMMON, uma loja de japoneses que tinha óculos, roupas, chapéus, jóias, sapatos e bolsas incríveis que foram super simpáticos amaram nossa revista e projeto que toparam na hora participar.

E o resultado está aí: uma singela homenagem a essa cidade tão plural e com pessoas de todo o mundo, clicado em temperaturas negativas no McCarren Park em Williamsburg, nosso bairro preferido.

Espero que gostem!

Carolina Herszenhut

*english text below

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Shooting in NY has always been a dream.
Each corner is inspiring, people wear always the most amazing clothes and they all  have freedom to dress, live and be as they wish, and that is enviable.

I spent two months in this city and when it seemed I would not be able to accomplish this dream, I met three amazing people that supported this idea and performed this beautiful editorial: José Camarano, Breno Votto and Jerome de Moraes, respectively, stylist, art director and photographer. They are the ones responsible for these beautiful photos.

In search for clothes for this editorial we found a pop up inside the Chelsea Market, 1 COMMON, a Japanese store which had glasses, clothing, hats, jewelry, shoes and amazing bags. They were super friendly. They loved our magazine and project, and joined us immediately.

And there is the result : a simple tribute to this city, so plural and with people from all over the world. The photos were clicked in negative temperatures in McCarren Park in Williamsburg, our favorite neighborhood.

I hope you enjoy!

Carolina Herszenhut